Oração: «Meu Deus, não me deixes ser arrastado pela corrente deste mundo, pela trivialidade»

Meu Deus!,
onde estavas quando uma onda aterradora
provocou o tsunami apocalíptico no Japão,
quando a terra tremeu
e devastou o Haiti e a Venezuela,
quando assassinavam milhares de pessoas
no Ruanda, na República do Congo, na Palestina
ou no campo de extermínio de Auschwitz?

As crianças famintas de África,
os milhões de pessoas deslocadas e refugiadas
devido às guerras e à perseguição,
já não têm forças nem lágrimas para gritar,
para implorar, e os seus olhos ficam turvos
de tanto olhar para o horizonte,
à espera de um único motivo para não desesperarem,
de um messias que as liberte de tanta angústia.

A única coisa que te peço, ó Fonte de toda a vida!
é que não me deixes ser cúmplice perante
tanto horror, tanta violência,
tanta injustiça, tanta miséria,
que não desiluda a esperança
que depositam na minha proximidade,
na minha solidariedade, na minha responsabilidade de irmão.

O meu verdadeiro jejum, o meu autêntico sacrifício
é tentar viver com o coração aberto,
com os olhos abertos, com a simplicidade de vida,
com a minha disponibilidade para com qualquer pessoa
que bata à minha porta, que venha de outra terra
para poder sobreviver na minha, que também é sua.

A única coisa que Te peço, ó meu Pai e minha Mãe!,
é que não me deixes ser arrastado pela corrente
deste mundo, pela trivialidade,
pela aparência e pelo consumo,
e que não se feche o abismo interior
que há em mim.

Embora esteja ferido por tudo o que me rodeia,
sei que Tu e as pessoas mais empobrecidas e indefesas
me libertarão de todas as minhas incoerências
e, só então, viverei com um coração renovado.

Miguel Ángel Mesa, em Eclesalia

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