Nenhuma época da História é o paraíso sobre a terra, mas o Reino de Deus vai abrindo passagem no amor do qual participam os seres humanos.
Tudo o que é amado é salvo. Nenhuma época pode libertar-se da tentação do mal, mas em todos os momentos da História houve pelo menos um justo pelo qual se salva o essencial da cidade.
Em cada época que vivemos é preciso buscar o amor que sustenta toda a realidade e circula impercetivelmente entre os grandes factos da História que atraem a atenção dos títulos das notícias. Cada um de nós é a pessoa que o mundo precisa neste momento.
Nascemos escolhidos para este momento que vivemos e, antes de rejeitar cada época, é preciso buscar os bens que ela aporta, as oportunidades que proporciona. Em cada época, o Espírito de Deus oferece-nos todos os bens de que precisamos para o caminho que é preciso fazer (êxodo) em vista da salvação.
Amar a nossa época é o primeiro movimento do coração na História: abraçar o mundo (como Jesus), oferecer o nosso corpo, a nossa mente, o nosso suor, tudo o que sabemos e podemos fazer (como Jesus se ofereceu em cada dia e até à morte e ressurreição).
Amar a nossa época não significa aceitar o mundo de forma acrítica nem resignar-se ao facto de que todos os tempos são iguais. Significa acolher o Espírito de Deus que trabalha em todas as coisas, que nunca se ausenta. Inclusive nas circunstâncias mais adversas que a Humanidade passou, o Espírito de Deus nunca deixou de acender a chama do bem e não soltar o fio dourado do amor, mesmo enquanto se entrava nas câmaras de gás.
Nenhuma época, nem as mais escuras, é trágica. Nenhuma cidade dos homens é capaz de extinguir o amor que tem como Cidade de Deus. Longe de nostalgia ou ódio, devemos compreender que fomos escolhidos para amar este exato momento da História. Ter tempo para amar começa por amar o nosso tempo.
Fernando Vidal*, em Revista Vida Nueva
*diretor da Cátedra Amoris Laetitia da Universidade Pontifícia Comillas, em Madrid
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