Há novas tendências do funeral em Portugal? As pessoas procuram a igreja ou preferem uma celebração laica?

Aqui ao lado, em Espanha, segundo conta o padre
Gerardo Villar, no texto Sin funerales do sítio Fé Adulta, «antigamente, era habitual que a família se despedisse do falecido com uma missa fúnebre, à qual compareciam familiares, amigos e conhecidos. Atualmente, em muitos casos, o caixão é transportado diretamente da casa mortuária para o cemitério ou para o crematório, sem que se celebre uma missa ou uma cerimónia fúnebre. Noutras ocasiões, organiza-se uma cerimónia laica de despedida ou uma celebração religiosa simples na própria casa mortuária».
 
Esta mudança leva-o a pensar em várias hipóteses: o número de crentes está a diminuir; ou para muitas pessoas, a oração comunitária perante a morte já não significa grande coisa nem as ajuda a viver esses momentos; ou talvez também esteja a enfraquecer o sentido de comunidade que antes reunia familiares, amigos e vizinhos para se apoiarem mutuamente e partilharem a dor.
 
E em Portugal?
A esmagadora maioria dos portugueses ainda procura a Igreja Católica para realizar cerimónias fúnebres, embora se registe um crescimento gradual e visível de funerais laicos ou civis.
 
O panorama nacional divide-se entre o peso da tradição e a modernização dos costumes sociais.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (Censos), mais de 80 % da população portuguesa identifica-se como católica. Isto reflete-se diretamente no momento da morte.
 
Mesmo para famílias não praticantes, existe uma forte tendência para realizar o velório em capelas mortuárias paroquiais e solicitar a presença de um sacerdote para a missa de corpo presente.
 
O funeral continua a ser visto como um importante evento social de suporte à família enlutada, onde amigos, vizinhos e conhecidos comparecem em grande número.
 
Novas tendências: o crescimento dos funerais laicos (civis)
O número de portugueses que se declara "sem religião" duplicou na última década. Este fator tem impulsionado a procura por alternativas.
 
Todavia, embora os funerais civis sejam cada vez mais frequentes, o setor funerário português ainda enfrenta uma escassez de espaços públicos laicos dedicados e de celebrantes civis profissionais certificados.
 
Geralmente, as despedidas laicas acontecem diretamente nas salas de Centros Funerários privados ou nos crematórios municipais, onde é feita uma homenagem com recurso a músicas significativas, discursos da família e projeção de fotografias.
 
A cremação
A aceitação da cremação disparou nas grandes áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, substituindo o tradicional sepultamento em terra. A própria Igreja Católica autoriza e acolhe a cremação desde que as cinzas sejam depositadas num cemitério ou local sagrado.

O sentimento em vez da fé
Celebração em oposição a sofrimento: Começa a desenhar-se, especialmente no meio urbano, um desejo de replicar modelos internacionais focados na "celebração da vida" do falecido por meio do convívio, em detrimento do tom puramente fúnebre e de sofrimento da tradição clássica portuguesa.

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