Tu és NATAL quando… texto inspirado em 19 elementos do presépio e nos «Escritos» de São Daniel Comboni (1831-1881), um dos grandes missionários de África

No Natal, Deus Amor aproxima-Se tanto de nós que se faz criança. 

E São Daniel Comboni ensina-nos que, quando o Amor de Jesus nasce verdadeiramente no nosso coração, já não conseguimos viver só para nós, mas sentimos que temos de O partilhar com o próximo.

Este texto inspira-se nos Escritos de São Daniel Comboni. Uma biografia aqui: Missionários Combonianos 

NATAL és tu,
quando deixas que Jesus seja o teu Tudo
, permites que o Seu amor transforme os teus ideais e entregas a tua vida àquilo que Deus te pede.
Escreveu Comboni: «Deus e a obra, eis as minhas esperanças» (Escritos, 2602).
 
O CORAÇÃO DE NATAL és tu,
quando deixas que a caridade de Cristo alargue o teu coração até caberem nele pessoas que ainda não conheces, e permites que o amor por alguém se torne tão grande dentro de ti que essa pessoa já não possa ser esquecida.
Comboni dizia da África e dos seus pobres: «Apoderaram-se do meu coração, que vive só para eles» (Escritos, 941).
 
A MANJEDOURA DE NATAL és tu,
quando
sabes preparar um lugar no teu coração para quem chega de longe, para quem é diferente, para quem o mundo deixou de lado, mesmo quando parece não haver lugar.
Comboni escreveu: «O Nazareno, levantado na árvore da cruz, estendida uma mão para Oriente e a outra para Ocidente, recolheu todos os seus eleitos no seio da Igreja» (Escritos, 4974).
 
A LUZ DE NATAL és tu,
quando
levas esperança a quem vive na escuridão e acreditas que ninguém está perdido para Deus.
Uma das convicções basilares de Comboni é: «O católico, habituado a julgar as coisas com a luz que lhe vem do alto, olhou a África não através do miserável prisma dos interesses humanos, mas do puro raio da sua fé; e descobriu lá uma infinidade de irmãos pertencentes à mesma família, que têm nos Céus um pai comum. Então, sentiu que o seu coração palpitava mais fortemente; e uma força divina pareceu empurrá-lo para aquelas terras, para apertar entre os seus braços e dar um beijo de paz e de amor àqueles irmãos seus» (Escritos, 2742).
 
A ESTRELA DE NATAL és tu,
quando
a tua vida ajuda alguém a encontrar o caminho para Jesus, quando ajudas outra pessoa a descobrir que também ela é filha amada de Deus.
Escreveu Comboni: «Este Instituto torna-se, como um pequeno cenáculo de apóstolos para a África, um ponto luminoso que envia até ao centro da Nigrícia tantos raios quantos os solícitos e virtuosos missionários que saem do seu seio. E estes raios, que juntos resplandecem e aquecem, revelam necessariamente a natureza do centro de onde procedem» (Escritos, 2648).
 
OS PASTORES DE NATAL és tu,
quando
vais ao encontro dos mais pobres, dos mais frágeis e dos mais abandonados, não apenas para os ajudar, mas para fazer tua a sua sorte e capacitá-los para mudar a sua vida.
Comboni elaborou um plano para formar pessoas que, depois de receberem conhecimentos, regressassem às suas terras para «comunicar e ensinar à sua gente» aquilo que tinham aprendido. Queria que os jovens fossem instruídos «na religião, nas artes, na agricultura, e, especialmente, em tudo o que é necessário para a vida» (cf. Escritos, 498, 747 e 748).
 
OS REIS MAGOS és tu,
quando
ofereces o melhor que tens — os teus talentos, o teu tempo, as tuas forças e o teu coração — e, sobretudo, Jesus Cristo, que é o maior presente que podes oferecer ao mundo.
Comboni queria os seus missionários «com os olhos postos em Jesus Cristo» e felizes por «se oferecerem e perderem tudo» por Ele (Escritos, 2720-2721).
 
O PRESENTE DE NATAL és tu,
quando
podes dizer, com Comboni: «O vosso bem será o meu» e «as vossas penas serão também as minhas» (Escritos, 3158).
 
O ABRAÇO DE NATAL és tu,
quando
não ficas à distância do sofrimento dos outros, mas te aproximas, abraças e levas a paz e o amor de Cristo.
Para Comboni, a caridade saída do lado do Crucificado era uma força capaz de abraçar «toda a família humana» (Escritos, 2742).
 
A CEIA DE NATAL és tu,
quando
partilhas o que tens e procuras que ninguém fique fora da mesa da humanidade.
Este foi o lema de Comboni: «O dia e a noite, o sol e a chuva, encontrar-me-ão igualmente e sempre disposto a atender a vossas necessidades espirituais: o rico e o pobre, o são e o doente, o jovem e o velho, o patrão e o servo terão sempre igual acesso ao meu coração. O vosso bem será o meu e as vossas penas serão também as minhas» (Escritos 3158-3159).
 
A FAMÍLIA DE NATAL és tu,
quando
o teu coração se torna suficientemente grande para reconhecer como irmãos aqueles que vivem longe, que são diferentes de ti ou que a sociedade deixou para trás (cf. Escritos, 2742).
 
A PAZ DE NATAL és tu,
quando
a tua voz se levanta pela dignidade, pela fraternidade, pela paz e pela esperança dos que sofrem.
Comboni acreditava que Cristo veio proclamar a verdadeira liberdade e a fraternidade de todos os homens (Escritos, 5228)
 
A CRUZ DE NATAL és tu,
quando
não foges ao amor só porque amar custa.
Comboni, diante de uma obra «árdua e penosa», colocou toda a sua esperança no Coração de Jesus e aceitou sofrer pela salvação daqueles que lhe estavam confiados (Escritos, 3136).
 
A MISSÃO DE NATAL és tu,
quando
compreendes que amar não é apenas sentir compaixão, mas gastar a vida para que outros tenham vida.
Comboni referiu: «Eu não tenho vivido senão para a África» (Escritos, 1441).
 
A ESPERANÇA DE NATAL és tu,
quando
, diante de uma tarefa que parece demasiado grande para as tuas forças, confias mais em Deus do que em ti próprio: «Que aconteça tudo o quer Deus quiser. Deus nunca abandona quem nele confia» (Escritos, 7246).
 
A SANTIDADE DE NATAL és tu,
quando
procuras ser santo sem deixares de ser capaz de servir.
Comboni queria missionários «santos e capazes», porque uma coisa sem a outra vale pouco (Escritos, 6655).
 
A CARIDADE DE NATAL és tu,
quando
deixas que o amor de Cristo transforme as tuas capacidades em serviço e o teu coração em casa para os outros.
Para Comboni, é a caridade que torna o missionário capaz (Escritos, 6655).
 
A ENTREGA DE NATAL és tu,
quando
decides partilhar a sorte daqueles que amas e já não separas a felicidade deles da tua.
Comboni escreveu: «Quero partilhar a vossa sorte» (Escritos, 3159).
 
A ALEGRIA DE NATAL és tu,
quando
descobres que dar a vida por amor não é perdê-la, mas encontrar a sua verdadeira alegria.
Comboni não hesitou em dizer: «O dia mais feliz da minha existência será aquele em que eu possa dar a vida por vós» (Escritos, 3159).
 
E este pode ser o segredo do Natal que São Daniel Comboni nos ensina:
Cristo nasce para nós, para que nós aprendamos a nascer para os outros.
Um coração que deixa Cristo nascer dentro dele torna-se grande o suficiente para o mundo inteiro.
 
Um Santo e Feliz Natal!

Os Escritos de São Daniel Comboni estão disponíveis online. Podem ser lidos aqui:

Fernando Félix Ferreira, jornalista da Audácia e da Além-Mar

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