Tenho pensado no cansaço dos padres.
Eu mesmo um dia pensei que quando tudo voltasse ao normal,
provavelmente conseguiríamos fazer grandes trabalhos de evangelização para
acolher novamente os fiéis.
Sim, nem todos vão voltar. E a Igreja que antes tinha de ser
“em saída”, agora vai precisar sair ainda mais disposta.
Só que estamos cansados. A Pandemia não diminuiu os nossos
esforços, ela esgotou-nos.
Os padres estão esgotados e, com eles, aquele grupo de fiéis
que não tirou a mão do arado.
Não foi tempo de descanso. Foi tempo de reinventar-se,
sofrer, errar, sentir medo enquanto todos esperam que o padre fosse corajoso.
Isto tudo é extremamente desgastante.
É desgastante não saber como vai ser a agenda da próxima
semana. O que fazer com as crianças da catequese, os jovens da crisma, as capelas
rurais, tão pequeninas e numerosas…
É desgastante trocar a escala, porque um está suspeito, o
outro perdeu alguém da família, o outro está internado. E para todos, o padre
desgastado, precisa de ter uma palavra de ânimo.
É desgastante o abre e fecha as igrejas. A incerteza do que
vão decidir por decreto, que vai afetar a comunidade… E ver toda a gente a mandar,
enquanto os que deviam mandar ficam em silêncio.
É desgastante ver o choro do desempregado, o medo dos
idosos, a irresponsabilidade a adquirir estatuto nas redes sociais.
Quando vir um presbítero, pense que também está a ser
difícil para ele.
Presbítero Thiago Linhares, diocese de Campos, Brasil
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