São muitos.
São ungidos como todos os outros.
Só que invisíveis.
Inúmeras escolhas, fracassos, situações (internas ou
externas) fizeram com que ficassem invisíveis.
Uns não suportaram o peso do ministério,
outros caíram e magoaram as pessoas,
Alguns discerniram um outro caminho possível.
Há os que fracassaram.
Um dia, eles já foram vistos, aplaudidos, cuidados, amados,
queridos. Muitos hoje estão esquecidos.
São os chamados padres invisíveis:
padres que abandonaram o ministério ou que foram retirados
como justa penalidade.
Padres idosos que já não são tão atraentes aos ouvidos do
povo.
Padres que por correção vivem sem a presença da comunidade.
Padres doentes e isolados, que demandam certo
comprometimento.
Hoje, urge ouvir aquela pergunta de Deus à Caim: «Onde está
o teu irmão?» (Gn 4)
«Talvez seja melhor eles serem invisíveis», podem alguns pensar.
Mas a eles também a Igreja disse: «Tu és sacerdote eternamente.»
E o eterno de Deus supera as desculpas humanas, o descaso de
nossa negligência e a falta de interesse em discutir a teologia do cuidado
também para com eles.
Eu penso muito nos padres invisíveis.
Um dia como eu também quiseram ser fiéis, e não conseguiram.
Contudo sempre serão padres eternamente, porque nem o pecado
nem o fracasso nem a infidelidade, nada apaga o eterno de Deus em nós.
Pense nos padres invisíveis.
Pense naqueles que ninguém mais vê nos altares.
Talvez seja incómodo olhar, pois descobriremos que podíamos
fazer algo e não fizemos, ou que agora devemos comprometer-nos como Igreja a
estender a mão àqueles que também têm as mãos ungidas.
E aos que pensam «Eles fizeram suas escolhas», recordo: «Deus
não nos trata como exigem nossas faltas» (Salmo 78).
As penalidades canónicas que sofrem não os devem fazer penar
também de invisibilidade.
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Presbítero Thiago Linhares, diocese de Campos, Brasil
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