Sete parábolas contadas por Jesus Cristo que respondem a cinco perguntas de ontem e de hoje

No capítulo 13 do seu Evangelho, Mateus reflete as circunstâncias da sua época, por volta do ano 80, quando os seguidores de Jesus vivem num ambiente hostil. Os cristãos são rejeitados, e sentem-se desnorteados por não entenderem porque muitos judeus não aceitam a mensagem de Jesus, a quem reconhecem como Messias.

Como agir diante de tudo isso? Mateus coloca na boca de Jesus, através de sete parábolas, as respostas a cinco perguntas –  que ainda são válidas para nós:

Por que nem todos aceitam a mensagem de Jesus? ― Parábola do semeador.

Que atitude devemos adotar em relação àqueles que rejeitam essa mensagem? ― Parábola do trigo e do joio.

Será que esta mensagem aceite por tão poucas pessoas tem futuro? ― Parábolas da semente de mostarda e da levedura.

Sobre estas três parábolas, ler:

Vale a pena comprometer-se? ― O tesouro e a pedra preciosa.

O que acontecerá àqueles que aceitam a mensagem, mas não estão à altura dos ideais do Reino? ― A pesca.

Analisemos (por agora - e voltaremos mais tarde às outras parábolas), a primeira pergunta: Porque nem todos aceitam a mensagem de Jesus?

A primeira parábola, a do semeador, responde ao problema do porque a palavra de Jesus não dá frutos em algumas pessoas.

Quatro possibilidades
1) Em algumas pessoas, porque essa palavra não lhes diz nada, não vai de acordo com as suas necessidades ou os seus desejos. Para eles, a constituição de uma comunidade de pessoas livres, iguais, fraternas, filhos do mesmo Pai não significa nada.

2) Outros aceitam-no com alegria, mas falta-lhe coragem e resistência para suportar as perseguições que o ser cristão suscita.

3) Outros dão mais importância às necessidades primárias (alimentos, roupas) do que ao objetivo de longo prazo (o Reino de Deus). Duas situações extremas e opostas, o peso da vida e a sedução da riqueza, produzem o mesmo efeito, afogando a Palavra de Deus.

4) Finalmente, em outros, a semente dá frutos. A parábola é otimista e realista. Otimista, porque grande parte da semente deve cair em bom campo. Realista, porque admite diferentes graus de produção e resposta na boa terra: 100, 60, 30. Nisto, como em tantas coisas, Jesus é muito mais compreensivo do que nós, que só admitimos como válida a terra que dá cem vezes uma. Mesmo quem dá trinta é um bom terreno (uma ideia que poderia ser aplicada a todos os níveis: moral, dogmático, compromisso cristão...).

Chamada de atenção e ação de graças

A parábola pode também ser lida como um apelo à responsabilidade e à vigilância: mesmo a boa terra que está a dar frutos deve lembrar-se daquilo que deixa a Palavra de Deus estéril: a passividade, a inconstância quando vêm as dificuldades, o peso da vida, a sedução da riqueza.

Mas é mais importante dar graças porque o Senhor semeou a sua palavra em nós, nós a aceitamos e, mesmo que seja apenas trinta por cento, deu frutos.

José Luis Sicre, em Fé Adulta

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