Porém, se nós, seus seguidores, não nos comprometermos com a tarefa de
os proclamar, Ele deixará de reinar e o seu lugar será ocupado por outros reis
desejosos de nos fazer seus servos.
Esses reis são o dinheiro, o consumo, o
conforto, a indiferença, a banalidade, a falta de compromisso, o egoísmo, a
inveja, a ganância, a exploração, a violência...
E são reis perigosos porque
nos submetem à escravidão e nos impedem de avançar; porque nos convidam a
instalar-nos aqui, na Terra, e a esquecer o nosso destino; porque retiram o
sentido das nossas vidas; porque conduzem a humanidade a um lugar escuro que
não faz jus à nossa condição nem às nossas esperanças.
«Foi por isso que nasci e foi por isso que vim ao mundo»
(João 18, 33b-37)
Jesus vem para nos libertar desses reis mesquinhos que
tiranizam sobre nós, mas Ele é crucificado e a sua obra permanece inacabada.
Não importa, existimos nós, os seus seguidores, e, para completar a tarefa, Ele
nos envia por todo o mundo para proclamar o seu Reino; para proclamar os seus
critérios de vida: «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio». Jesus
tinha-se comprometido com a missão que o Pai lhe confiara, a ponto de dar a
vida por ela. Agora é a nossa vez de assumir.
Sugestão de leitura complementar
A Igreja tem a obrigação de ser vanguarda
Mas talvez por preguiça, ou complexidade, ou medo de sermos
crucificados por uma sociedade que não admite dissidentes, escolhemos sobretudo
(exceto minorias heroicas empenhadas) questionar a validade da missão e
abandonámo-la.
O resultado é que nossos netos mal conhecem Jesus, e que essa
cadeia de transmissão da Palavra que durou vinte séculos está prestes a se
romper; apenas por causa da nossa falha de ser elo de ligação entre gerações.
Recebemos um presente inestimável dos nossos pais, Jesus, e não achamos
apropriado transmiti-lo aos nossos filhos. Porque nós, a Igreja, estamos tão
ocupados com as nossas próprias coisas que não temos mais tempo ou desejo para
nos dedicarmos a trabalhar pelo Reino.
É comum ouvir que a Igreja não é capaz de acompanhar o ritmo
a que a sociedade avança, e isso, enquanto conceito, é um disparate soberano,
uma vez que os cristãos são chamados a ser a vanguarda que define o rumo; não
pelo poder, claro, mas ao estilo de Jesus; de baixo, de dentro, de serviço,
como a semente, como o fermento... Jesus foi uma vanguarda radical e causou
escândalo, e foi crucificado, mas estamos tão confortáveis no mundo, tão
preocupados em merecer os seus aplausos, que é impossível sermos a vanguarda de
qualquer coisa e estamos satisfeitos com não perder o contacto com a cabeça do
pelotão.
Miguel Ángel Munárriz Casajús, em Fé Adulta
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